Para aquelas pessoas que se apaixonam pelo pensamento como mecanismo de mudança social.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Conviver em um clima de proibições, sem discutir responsavelmente.
Fui a uma palestra com um grupo de (jovens), por condições éticas não posso falar o nome do grupo, prefiro preservar a integridade do mesmo.
Convidaram-me para falar sobre vocação, um bom tema para o mês corrente. Até aí tudo bem. Conversa vai, conversa vem, a catequista ou coordenadora do grupo chama à atenção sobre um aspecto humano, masturbação como um vício, quando eu falava do voto de castidade assumido pelos religiosos e religiosas . Fiquei espantado pela imediata caracterização feita por ela como “vicio”, tentando desconcertar essa afirmação da coordenadora, e libertar os meninos, que imediatamente olharam para mim com cara espantada e pedindo redenção.
Falei em voz alta e em bom tom que a masturbação não é vício! Vício é quando nos fechamos a essa prática natural, não querendo se relacionar com ninguém.
E eu ainda acrescento isso não é só vício, mas também pecado. Pecado, pois, quando eu não quero me relacionar com as pessoas, achando esse mecanismo suficiente em si, automaticamente há uma descaracterização da pessoa humana, criada para a relação com os semelhantes e com o cosmo.
Na visão biológica a masturbação é natural, por quê? Porque todas as crianças e adolescentes passam pela mesma, e que esse é um processo normal de descoberta do libido. (do latim, significando "desejo" ou "anseio").
O adolescente no seu percurso de amadurecimento vai percebendo ao longo do tempo que a masturbação foi um processo de crescimento sexual e que hoje, ele ou ela não precisa mais recorrer, por quê? Porque encontrou alguém que possa dividir as energias sexuais, não egoisticamente, mas coecetricamente, coecetricamente mesmo, sem fugir a fidelidade característica de toda resposta vocacional.
Fico pensando comigo mesmo, será que iremos ajudar as crianças a serem maduras no processo da fé, tratando temas tão delicados como pecado e vício só? Acho que não, ou negligenciarmos a elas a oportunidade de aprofundar-se, em temas sobre sexualidade sem um peso religioso cego, como se a religião fosse um mecanismo de controle desenfreado.
A religião deve conduzir a liberdade, uma liberdade responsável e discutida e não cegamente proibitivo e pronto. Fiquei feliz também porque a mesma coordenadora convidou-me para falar sobre sexualidade, ou melhor, tudo sobre sexualidade, mais com o enfoque maior sobre homossexualidade.
Pensar e discutir costuma fazer bem.
Por Edmilton Neves,SDV.
(Religioso Vocacionista).
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É de se esperar que venha dos jovens essas perguntas. Mas interessante a pergunta da catequista/coordenadora. Masturbação- vicio- dimensão- humana - vocação! Tudo a ver? A masturbação esta impregnado no ser humano (homem e mulher). Portanto ela “faz parte” sim da dimensão humana, podendo atrapalhar a pessoa viver fielmente sua vocação. Parabéns pelo artigo. Pena que “tudo”, hoje em dia, se volta para atos sexuais. Precisamos mostrar o sagrado dentro da dimensão humana.
ResponderExcluirIr. Luis, SDV